Abuso sexual, uma ferida que cicatriza na alma

Famílias que deviam proteger, abusam sexualmente a criança.

Belarmina Matsinhe é nome fictício de uma jovem que hoje tem 18 anos e vive em Guijá, província de Gaza, mas que o tempo não consegue apagar as memórias do abuso sexual sofrido a cinco anos, em casa da sua avó materna, no mesmo distrito.

A menina foi na altura enviada pela mãe para viver com a avó, de modo a faze-la companhia e ajudá-la nas tarefas diárias de casa. A convivência foi boa até que o tio (irmão da mãe) regressara da África do Sul de férias.

Para além de ter sido abusada sexualmente, Belarmina era frequentemente obrigada pelo tio a ir comprar bebidas e cigarros. A vítima contou a avó sobre o abuso, mas ela não acreditou. Se não fosse a intervenção da professora que viu o comportamento da Belarmina, a avó não teria acreditado ou aceite que tal acto tivesse ocorrido. Ao se aperceber do envolvimento das autoridades da educação, o tio fugiu e mais tarde foi capturado, estando neste momento a cumprir a pena.

Esta é uma das mais de 2 mil histórias partilhadas na primeira pessoa, este ano, no programa Ouro Negro ao Vivo, produzido em 40 Emissoras de Rádio provincial, distrital e cidade. Belarmina contou a sua história no Emissor Provincial da RM em Gaza.

Escute a história clicando aqui

Se com Belarmina, o caso teve final feliz, o mesmo não acontece com muitas crianças moçambicanas que enfrentam a dor de serem abusadas pelas pessoas que deviam protegê-

las. É o caso de Rabia, nome fictício de uma menina de Alto Molocue, na Zambézia, hoje com 15 anos, mas que aos 13 foi várias vezes abusada sexualmente pelo tio. Em caso de contar,

Rabia sofria ameaça de ver a tia (irmã do pai) morta. Os abusos eram protagonizados na moageira do tio, para onde Rabia era frequentemente chamada pelo abusador para buscar dinheiro para as compras de casa. A gravidez denunciou o caso que com a pressão do pai de rabia, irmão da esposa do abusador, foi levado às autoridades comunitárias onde foi abafado.  A prima da vítima que partilhou a história, levou o caso ao Comando Distrital, mas com a forte pressão da família e das autoridades comunitárias, o caso foi abafado para evitar a prisão do tio.

Hoje, com o apoio do esposo com que veio mais tarde a casar-se, Rabia cuida do filho que nasceu do abuso sexual. A história foi partilhada na rádio comunitária de Alto Molocue e pode ser escutada através do link: https://goo.gl/UKxxcU

 

 

 

 

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